Geração distribuída solar chega a 54 GW e já supera a potência de todas as termelétricas do Brasil (49,9 GW), mostram dados da ANEEL

A geração distribuída solar tem 53,65 GW de potência instalada, contra 49,89 GW das termelétricas em operação, e o cadastro da ANEEL mostra quem tem o painel e onde ele está.

A geração distribuída solar do Brasil soma 53,65 GW de potência instalada, mais que os 49,89 GW das termelétricas em operação, segundo a ANEEL. Os dados são de 3 de outubro de 2026 e vêm de duas bases da agência.

A comparação junta duas bases da ANEEL. Uma traz a potência instalada registrada no cadastro, a outra, a potência fiscalizada em operação no SIGA, o sistema de geração da agência.

O SIGA registra as usinas nucleares à parte, com 1,99 GW. Com elas, as termelétricas chegam a 51,88 GW, e a geração distribuída solar segue na frente.

O SIGA mostra 23,6 GW em usinas solares em operação, e a geração distribuída solar é 2,3 vezes isso (conta da redação). As eólicas têm 34,9 GW e as hidrelétricas (UHE), 103,2 GW, num total de 220,7 GW em todas as fontes em operação.

As duas bases não se somam: cada uma mede uma coisa.

Quantos sistemas e quantas unidades consumidoras estão no cadastro?

São 4.656.839 registros no cadastro, e 4.655.916 deles são solares fotovoltaicos, informa a ANEEL.

A solar responde por 99,4% da potência. O resto vem de termelétricas, pequenas hidrelétricas e eólicas, cerca de 0,3 GW juntas, informa a ANEEL.

Cada registro é um empreendimento, não uma casa: o cadastro mostra 8.954.582 unidades consumidoras que recebem crédito de energia desses sistemas.

Dá 1,9 unidade por registro, em média. O cadastro lista também o autoconsumo remoto e a geração compartilhada, modalidades que levam crédito a outras unidades.

Quem tem o painel: casa, comércio, fazenda ou fábrica?

A ANEEL registra 28,07 GW (52,0% da potência) na classe residencial, a maior, seguida pelo comércio, com 14,39 GW (26,7%).

A classe rural tem 6,72 GW (12,5%) e a indústria, 3,77 GW (7,0%), conforme o cadastro.

Em número de registros, o residencial pesa ainda mais: o cadastro mostra 3.726.947, ou 80% do total.

A potência média por registro mostra o tamanho de cada sistema: 7,5 kW no residencial e 65,9 kW no industrial.

Microgeração ou minigeração: onde está a potência?

Segundo a ANEEL, a microgeração soma 43,55 GW (80,7%) em 4.635.378 registros, e a minigeração, 10,41 GW (19,3%) em 21.461.

Pelo cadastro, os sistemas de minigeração são menos de 0,5% dos registros e concentram quase um quinto da potência.

A usina fica na casa de quem usa a energia?

A modalidade mais comum é a geração na própria unidade consumidora, com 36,70 GW (68,0%), informa o cadastro.

O autoconsumo remoto soma 13,85 GW (25,7%) e a geração compartilhada, 3,32 GW (6,2%), de acordo com o cadastro da ANEEL.

No autoconsumo remoto, em termos gerais, a usina fica num endereço e o crédito de energia vai para outras unidades (explicação geral da redação).

O município do cadastro é onde o sistema está instalado, não necessariamente onde mora quem usa o crédito.

Quais estados e cidades concentram a potência da geração distribuída?

São Paulo lidera, com 7,61 GW, segundo o cadastro, seguido por Paraná (6,90 GW), Minas Gerais (6,47 GW), Rio Grande do Sul (3,99 GW) e Mato Grosso (3,18 GW).

Bahia (2,98 GW), Goiás (2,43 GW) e Santa Catarina (2,34 GW) completam os oito primeiros, de acordo com a ANEEL.

Os três maiores somam 20,98 GW, ou 38,9% do total.

Entre as cidades, o cadastro mostra Brasília com 590 MW em sistemas instalados, a maior potência entre os municípios, à frente de Cuiabá (504 MW), Campo Grande (437 MW) e Foz do Iguaçu (402 MW).

Rio de Janeiro (385 MW), Goiânia e Teresina (368 MW cada) e Manaus (360 MW) vêm em seguida, aponta o cadastro.

É ranking de potência instalada no município, não de quantas pessoas têm painel.

O que esses 54 GW não mostram?

O cadastro da ANEEL registra potência instalada, que é capacidade, não energia gerada. O painel só produz com sol, e cada fonte opera um número diferente de horas no ano (explicação geral da redação).

Painéis solares sobre flutuadores brancos na água, com boias amarelas e árvores na margem ao fundo.
Painéis solares sobre flutuadores na usina Araucária, vistos de perto, em foto de 17 de janeiro de 2024. Foto de arquivo. Foto: Governo do Estado de São Paulo, CC BY 2.0 (recortada)

Por isso, a comparação vale para a potência instalada, não para a energia entregue ao longo do ano.

O arquivo principal do cadastro traz só a data da última atualização cadastral de cada registro. A data de conexão dos sistemas solares está em outro arquivo da mesma base da ANEEL, o de informações técnicas da fotovoltaica, e não entra nos números acima.

Fonte: Clickpetroleoegas

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