Ministro promete realizar certame até junho; entidade avalia oportunidades para o setor, mas alerta para entraves que ainda limitam o mercado.
Na mesma semana em que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo pretende realizar o leilão de baterias até junho deste ano, o Portal Weg Norte ouviu a ABSAE – A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia, sobre a importância do certame para a consolidação do mercado de armazenamento de energia no Brasil.
Durante evento do setor financeiro, o ministro declarou que o leilão deverá contar com cláusulas de conteúdo local, ainda que de forma “modesta” como parte da estratégia para iniciar uma cadeia produtiva ligada à tecnologia de armazenamento no país. A declaração ocorre meses após a abertura de consulta pública sobre o tema, ainda sem a publicação da portaria com as diretrizes do certame.
Nesse contexto, a ABSAE avaliou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o primeiro leilão de baterias representa um marco estruturante para o setor. Segundo a entidade, o movimento sinaliza o reconhecimento do papel das baterias na garantia de potência e flexibilidade do sistema elétrico, indicando que o armazenamento passa a ocupar posição central na política energética brasileira.
Na avaliação institucional, o avanço tende a contribuir para uma integração mais eficiente das fontes renováveis, ajudando a reduzir sobrecargas, instabilidades operacionais e riscos de apagões. A associação destaca ainda que o armazenamento permite otimizar o uso da energia já produzida e mitigar desperdícios em um cenário de expansão acelerada das renováveis.
Questionada sobre as oportunidades abertas pelo leilão, a ABSAE aponta a atração de investimentos, o desenvolvimento da cadeia produtiva, ganhos de eficiência operativa e a redução de custos estruturais no médio e longo prazo. A entidade avalia que o armazenamento será peça-chave para ampliar a segurança energética diante do aumento da eletrificação da economia.
Apesar da leitura positiva, a associação ressalta que os principais desafios para a expansão do armazenamento no Brasil permanecem no campo regulatório. Entre os pontos citados estão a incidência de encargos em modelos de tarifa dupla, a adequada alocação de custos e a definição clara dos mecanismos de remuneração pelos serviços prestados pelas baterias.
Segundo a ABSAE, apenas com previsibilidade regulatória e segurança jurídica será possível transformar o sinal político dado pelo governo em um mercado de armazenamento competitivo, sustentável e capaz de acompanhar a transição energética brasileira.
Por Christiane Santos | Portal Weg Norte – Onde o integrador fica bem informado
