Em 2025, o sistema de bandeiras tarifárias completa 10 anos — e o cenário não é dos mais animadores para o bolso do consumidor.
Com cinco meses seguidos sob bandeira vermelha, as famílias brasileiras enfrentam contas de luz mais altas. O mecanismo, criado para sinalizar os custos extras na geração de energia, reflete a crescente pressão da crise climática sobre as fontes de abastecimento.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) define a cor da bandeira mensalmente, de acordo com as condições do Sistema Interligado Nacional (SIN). Em períodos de chuvas abaixo da média e reservatórios baixos, são acionadas usinas termelétricas, mais caras e poluentes — o que justifica a bandeira vermelha.
Especialistas alertam que, mesmo com o avanço das fontes solar e eólica, o Brasil ainda sofre com a falta de infraestrutura de conexão, que impede o uso pleno da energia renovável. Assim, o país continua recorrendo às térmicas, aumentando custos e impactos ambientais.
Segundo o professor Célio Bermann (USP), as bandeiras foram criadas para facilitar o custeio da geração térmica, permitindo repasse mais rápido dos custos às distribuidoras. Antes, esse valor demorava até 12 meses para ser reajustado, o que gerava inadimplência e desequilíbrio financeiro no setor.
Hoje, o valor adicional pode chegar a R$ 7,87 por cada 100 kWh (bandeira vermelha patamar 2). Veja os acréscimos vigentes:
| Bandeira Tarifária | Valor adicional (por 100 kWh) |
|---|---|
| Amarela | R$ 1,88 |
| Vermelha – Patamar 1 | R$ 4,46 |
| Vermelha – Patamar 2 | R$ 7,87 |
O mecanismo tornou mais transparente o custo real da energia, mas especialistas pedem uma revisão do modelo para que não penalize os consumidores mais vulneráveis.
Redação
