A expansão da energia limpa no meio rural brasileiro acelera a geração distribuída, reduz custos operacionais e fortalece a produtividade no campo.
O uso de energia limpa no campo brasileiro deixou de ser tendência e passou a integrar a estratégia produtiva de milhares de agricultores. A combinação entre alta incidência solar, grandes extensões territoriais e necessidade crescente de eletrificação tem acelerado a adoção de sistemas de geração distribuída nas propriedades rurais.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que o consumo de energia própria no meio rural cresceu cerca de 60% entre junho de 2023 e junho de 2025. Nesse intervalo, a potência instalada saltou de 3,5 gigawatts para 5,6 gigawatts, consolidando o campo como um dos principais vetores de crescimento da energia limpa no país.
Esse avanço ocorre em um cenário favorável. O Brasil possui mais de 80 milhões de hectares destinados à agricultura e registra mais de 3 mil horas de sol pleno por ano, condições consideradas ideais para a geração fotovoltaica.
Economia e previsibilidade impulsionam adesão dos produtores
A principal motivação para o investimento em energia limpa nas propriedades rurais é econômica. Ao produzir a própria eletricidade, o produtor reduz a dependência da concessionária, diminui a exposição às variações tarifárias e passa a operar com maior previsibilidade de custos.
Além disso, há uma redução significativa no uso de geradores movidos a diesel, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros. Esse fator impacta diretamente o orçamento e também contribui para a redução das emissões de poluentes.
Outro diferencial está na possibilidade de manter o fornecimento mesmo em horários de baixa geração. Sistemas que contam com baterias de armazenamento permitem o uso da energia à noite ou em dias nublados, garantindo continuidade operacional para atividades essenciais.
Retorno financeiro e vida útil tornam projetos atrativos
O custo de implantação varia conforme características específicas de cada propriedade. Área disponível, localização geográfica e demanda energética influenciam diretamente o valor final do projeto. Ainda assim, a viabilidade econômica tem se mostrado consistente em diferentes perfis de produtores.
Segundo Fábio Lima, diretor executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), o retorno financeiro ocorre em um prazo relativamente curto. “É onde você tem ali o auge da viabilidade econômica desses projetos. E você tem comparado a isso o ciclo de vida, uma duração desse sistema da ordem de 15 a 20 anos. Então você tem 10 a 15 anos de lucratividade com o uso desses sistemas”, afirma o executivo.
Esse horizonte de retorno tem sido determinante para ampliar a adesão, sobretudo entre médios e grandes produtores.
Matopiba se destaca como nova fronteira da energia limpa
Embora os investimentos estejam distribuídos por todo o país, o avanço mais acelerado ocorre no Matopiba, região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Considerada a nova fronteira agrícola nacional, a área também se destaca pela modernização de sua infraestrutura elétrica.
De acordo com Lima, a expansão da energia limpa nessa região tem efeitos diretos sobre a produtividade. “Com isso, você tem uma rede estável, de baixo custo e renovável – baseada em energia limpa, sem emissão de poluentes –, em que você consegue ampliar o seu investimento em irrigação, em refrigeração, em diversas formas de uso de eletrificação rural para aumento da sua produtividade”, diz o administrador.
A disponibilidade energética mais estável favorece desde sistemas de irrigação até cadeias de refrigeração, fundamentais para reduzir perdas no armazenamento e transporte da produção.
Marco legal fortalece confiança e atrai novos investimentos
A consolidação da energia limpa no campo também passa pela segurança jurídica. A sanção da Lei nº 15.269/2025, conhecida como Reforma do Setor Elétrico, é vista pelo setor como um passo decisivo para destravar novos investimentos.
A legislação foi sancionada no fim do ano passado e estabelece novas regras para o setor elétrico. Entre os objetivos estão a redução das tarifas, o fortalecimento da segurança energética, a regulamentação do armazenamento de energia elétrica e a facilitação da comercialização no mercado.
Fonte: Click Petróleo e Gás
