Conta de luz em alta: o que explica os reajustes de 2025 e o que esperar para 2026

A energia elétrica residencial foi um dos principais fatores de pressão sobre a inflação brasileira em 2025. Segundo dados do IPCA divulgados pelo IBGE, a conta de luz acumulou alta de 12,31% no ano, enquanto a inflação geral do país fechou em 4,26%. Sozinha, a energia elétrica residencial respondeu por 0,48 ponto percentual do índice acumulado.

A energia elétrica residencial foi um dos principais fatores de pressão sobre a inflação brasileira em 2025. Segundo dados do IPCA divulgados pelo IBGE, a conta de luz acumulou alta de 12,31% no ano, enquanto a inflação geral do país fechou em 4,26%. Sozinha, a energia elétrica residencial respondeu por 0,48 ponto percentual do índice acumulado.

Esse movimento foi sentido em todas as regiões monitoradas pelo IBGE, com destaque para capitais como Porto Alegre (23,50%), Goiânia (23,07%), São Paulo (18,64%) e São Luís (18,06%). Além dos reajustes tarifários, o cenário foi agravado pela maior incidência de bandeiras tarifárias, diferentemente de 2024, quando a bandeira verde prevaleceu na maior parte do ano.

Por que a conta de luz subiu tanto em 2025?

Entre os principais fatores que explicam a alta estão:

  • Reajustes tarifários regionais, que variaram de -2,16% a 21,95%
  • Maior uso de bandeiras tarifárias
  • Custos estruturais do setor elétrico ainda refletindo decisões tomadas em anos anteriores, como os contratos do leilão emergencial de 2021

Apesar desse cenário, há pontos de alívio importantes projetados para os próximos ciclos.

O que esperar das tarifas em 2026?

De acordo com projeções da TR Soluções, as tarifas residenciais devem registrar alta média de 5,4% em 2026. Os cálculos foram realizados com base no Serviço para Estimativa de Tarifas de Energia (SETE), considerando as 51 concessionárias de distribuição do país.

Projeção média por região:

  • Sul: 9,81%
  • Sudeste: 7,69%
  • Norte: 3,65%
  • Centro-Oeste: 1,41%
  • Nordeste: 0,30%

O principal fator de pressão continua sendo o aumento dos custos de transmissão, com reajuste médio estimado em 12% no ciclo 2025/2026. Esse impacto será mais sentido pelas concessionárias que passam por reajuste no primeiro semestre de 2026.

Por outro lado, os dois principais componentes da tarifa — distribuição e compra de energia — devem crescer abaixo da inflação. Esse alívio está relacionado a mudanças regulatórias relevantes.

Mudanças regulatórias e impactos no mercado

A Lei nº 15.269/2025 ampliou o rol de consumidores responsáveis pelo custeio dos subsídios da CDE GD, incluindo também os consumidores livres. Essa redistribuição ajuda a reduzir a pressão sobre os consumidores residenciais regulados.

Outro fator positivo é o encerramento da maior parte dos contratos do leilão emergencial de 2021, o que deve reduzir cerca de R$ 2 bilhões em receita fixa de energia de reserva, aliviando o Encargo de Energia de Reserva (EER).

Já para os consumidores livres, o cenário é diferente: a Lei nº 15.235/2025 determinou a alteração no rateio dos custos da energia nuclear de Angra 1 e Angra 2, o que deve representar um acréscimo médio de R$ 10/MWh para esses agentes.

O que esse cenário indica?

O comportamento das tarifas reforça uma tendência clara: o custo da energia segue volátil e estruturalmente pressionado, o que aumenta a importância de planejamento energético, eficiência e alternativas como a geração distribuída.

Mais do que nunca, entender a composição da tarifa e antecipar movimentos regulatórios deixou de ser apenas informação — passou a ser estratégia.

Redação

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